Além de saquear nações, há uma coisa em que os militantes do socialismo do século XXI são especialistas: construir histórias. Por exemplo, eles chamaram a inflação dos preços das moradias de boom, ou o crescimento econômico de simples engorda do aparato estatal boliviano.
No entanto, as fábulas, por mais bem estruturadas que sejam, não podem esconder a realidade. E é que nossa nação não é blindada, nem somos a inveja do mundo. A economia entra em colapso. Os slogans não podem mais esconder o desastre.
Um dos primeiros sinais veio com o Decreto Supremo 4.716. Este aprova que os “lucros” da Gestora da Previdência Pública (que substituirá a AFPS a partir de junho de 2023) serão utilizados para o pagamento da Renda Dignidade. Em outras palavras, o governo usará a poupança dos trabalhadores para sustentar suas políticas socialistas. Eles não têm dinheiro, mas não hesitarão nem por um segundo em saquear o dinheiro do setor privado. É simples assim.
Mas a coisa não termina aí. Em 10 de maio, o Banco Central da Bolívia (BCB) determinou que todas as empresas estatais que administram contas no exterior devem repatriar, no prazo máximo de 60 dias, todos os dólares que possuem fora do país. Estamos enfrentando a imposição de uma cerca em todos os dólares que podem ser obtidos. Não é preciso ser um gênio da economia para perceber que essa medida coloca em sérias dificuldades a importação de hidrocarbonetos.
Outra das manobras desesperadas do BCB visa vender todo o ouro que puder nos mercados internacionais. A esse respeito, o economista Napoleón Pacheco expressou o seguinte:
A decisão de usar o ouro estaria expressando uma situação muito mais grave do que a que conhecemos sobre os NIRs. Nenhum governo antes do MAS, nem em situações críticas, propôs usar as reservas de ouro do país. É um mau sinal para a economia boliviana.
O fato de o governo estar raspando o pote em busca de novas fontes de financiamento reflete apenas uma coisa: que o Modelo Econômico de Comunidade Social Produtiva da Bolívia (MESCPB) entrou em colapso, e que nem mesmo o segundo boom de commodities vai salvá-lo.
É por isso que é incrível, sobretudo tendo em conta o evidente nível de decomposição da economia nacional, que o governo pretenda continuar a gastar muito. Pois bem, recentemente anunciou a construção da segunda usina de uréia, quatro usinas de biodiesel e uma de fertilizantes.
Aparentemente os gurus do Ministério da Economia não sabem que 85% das empresas estatais geram prejuízos e que o déficit fiscal projetado para 2022 é de 8%, ou assumem que são apenas calúnias da “direita”, dos “golpistas” e o ‘império’.
Tampouco levam em conta que, sem aviso prévio, a Bolívia reduziu em 30% o fornecimento de gás natural para a Petrobras neste mês. A estatal brasileira, surpreendentemente, sofreu um corte equivalente a cerca de 7 milhões de metros cúbicos de gás por dia.
Da mesma forma, o país enfrenta escassez de diesel em pelo menos cinco departamentos, mas sobretudo em Santa Cruz. Vale lembrar que 70% da cesta básica do país é produzida na capital oriental. Além disso, há semanas há escassez de milho, carne suína e de frango nos mercados.
Diante desse cenário, a resposta do governo foi ameaçar desapropriar terras, intervir nas empresas produtoras de milho e transformar a EMAPA (empresa estatal responsável pela produção de alimentos) em uma entidade vigilante.
Como disse o grande Ludwig von Mises: “Uma economia centralmente planejada não tem como calcular economicamente e, portanto, não pode prosperar”. É por isso que na Bolívia não precisamos nos perguntar o quê, já que tudo aponta para um default, mas sim quando.
país pobre!
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