Quando tenho que dar palestras sobre a relação entre o crime organizado e as ditaduras do socialismo do século XXI, sempre surge a pergunta: O que é um estado falido? Esses tipos de perguntas são melhor respondidas mostrando o conceito positivo.
Um Estado normal é aquele que permite a convivência pacífica entre seus cidadãos, garante o direito à propriedade privada, apoia os setores mais pobres da população em questões de saúde e educação e respeita os direitos fundamentais à vida e à liberdade. Portanto, um estado falido seria o oposto.
Desde que o Fórum de São Paulo invadiu a Bolívia na década de 1990, o país sofreu uma série de ações subversivas e terroristas. Seu objetivo final era derrubar governos democráticos para expandir a esfera de influência do castrochavismo. Esse objetivo foi alcançado em outubro de 2003.
A partir dessa trágica data, mas principalmente com a aprovação da nova Constituição Política em 2009, as instituições democráticas foram corrompidas a ponto de transformar o país em um narcoestado. A atual constituição boliviana é basicamente um mecanismo para manter a quadrilha do MAS no poder. Mas não para garantir o exercício dos direitos aos cidadãos bolivianos.
Você acha minhas declarações exageradas?
Vamos ver o que os índices internacionais dizem sobre a Bolívia.
No Índice de Liberdade Econômica 2022 do Instituto Fraser – que acaba de apresentar dados de 2020 – o Estado Plurinacional da Bolívia ocupa a 123ª posição entre 165 países avaliados, atrás de Togo e Djibuti, apenas à frente de Argentina e Venezuela.
No Índice Internacional de Direitos de Propriedade de 2022, a Bolívia ocupa a 121ª posição de um total de 129. O país está atrás da Nigéria, Etiópia, Camarões ou Moçambique. No ritmo que as coisas estão indo, em um ano as crianças bolivianas substituem os africanos em cartazes contra a desnutrição infantil.
De 2017 a 2019, o ranking de competitividade do turismo (elaborado pelo Fórum Econômico Mundial) coloca a Bolívia em 99º lugar entre 136 nações estudadas. Ou seja, nem os milhões de dólares que o regime destinou ao Dakar mudaram as perspectivas dos turistas sobre o país. Não somos atrativos para o turismo internacional. São poucos os que querem visitar a Bolívia. Muito menos vamos pedir grandes investimentos no setor. É simples assim.
No início de setembro de 2022, a ONU publicou o Relatório de Desenvolvimento Humano 2020 – 2022. Bem, aqui também não fomos muito bem. A Bolívia ocupa o 118º lugar entre 191 países. Mas temos que enfatizar um agravante: no nível sul-americano, o país está apenas acima da Venezuela.
A média das notas obtidas pelo Terceiro Estudo Regional Comparativo e Explicativo (TERCE) é uma investigação realizada pela UNESCO desde 2013. O país recusou-se a participar do estudo até 2017, ano em que ingressou. Cerca de 12.000 alunos dos nove departamentos participaram dos exames. Na média das notas, o país ficou em 13º lugar de um total de 16. Uma das “maravilhas” da lei de Avelino Siñani.
O Observatório de Defensores de Direitos UNITAS, entre janeiro e agosto de 2022, registrou um total de 107 violações à liberdade de imprensa. A agressão contra os trabalhadores da imprensa é o tipo de violação mais comum, seguida da estigmatização dos jornalistas – a ditadura acusa qualquer jornalista independente de ser “pitita” – e do impedimento de acesso à informação.
Em termos de ameaças, a que mais se destaca é a que ocorreu em Santa Cruz sobre o sequestro de jornalistas em Las Londras. Nicolás Ramírez, um dos sequestradores de jornalistas em outubro de 2021, em uma coletiva de imprensa exigiu a retirada do livro Periodismo vs Terramafia de Roberto Méndez. Além disso, atuando como bandido de gangue, ele ameaçou promotores, policiais e outros jornalistas.
Em suma, é claro que “O processo de mudança” foi simplesmente um retorno à barbárie e ao subdesenvolvimento.
Você machucou a Bolívia!
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