O Movimento para o Socialismo não é um partido político, mas um grupo criminoso. Essa é a realidade que muitos não se atrevem a aceitar. Um, porque ele não tem motivação para administrar o país, mas apenas para manter o poder a qualquer custo. Dois, porque suas ações sempre responderam à violência nas ruas e ao terrorismo.
Você acha que estou exagerando?
14 de janeiro de 2002, Sacaba, município de Cochabamba, minha terra natal, acordou cercado por 5.000 cocaleiros sob o comando de Evo Morales. O slogan era reabrir o mercado de coca que o governo havia fechado há algum tempo.
A polícia que vigiava o local enfrentou os coquetéis molotov lançados pelos plantadores de coca. Mas eles não conseguiram evitar que 25 veículos fossem queimados até o chão. Devido à investida constante dos anfitriões violentos, as autoridades enviaram um contingente militar para apoiar o grupo policial.
Mauro Bertero, então ministro da Informação, denunciou a presença de franco-atiradores e o uso de armas de fogo por plantadores de coca. A violência se intensificou com o passar dos dias. Os mortos do lado de Morales começaram a aparecer, mas com uma ressalva, o calibre da munição não correspondia aos usados pelas Forças Armadas bolivianas. Essa técnica de assassinar os próprios militantes foi importada da Colômbia, como explica muito bem Fernando Vargas Quemba em seu livro: Memória Histórica das Farc, sua verdadeira origem.
Na quinta-feira, 17 de janeiro, ao pôr do sol, uma ambulância foi atacada por um grupo de camponeses que sequestrou dois policiais (o tenente Marcelo Trujillo e o policial Antonio Gutiérrez) feridos no interior. Os corpos dos homens uniformizados foram encontrados na manhã de sexta-feira, nus, torturados e enforcados, abandonados às margens de um rio próximo a Sacaba.
Como resultado desses acontecimentos, em 22 de janeiro, em sessão maratona, com 104 votos a favor e 14 contra, a Câmara dos Deputados boliviana separou Evo Morales de suas fileiras. No entanto, seus aliados na imprensa e organizações de direitos humanos saíram em defesa do plantador de coca. Eles usaram o típico truque do vitimizador progressivo. Para esses operadores do politicamente correto, Evo não foi expulso por seus atos terroristas, mas por racismo e discriminação contra os indígenas. De sua parte, Morales usou ameaças e chantagens.
O governo, então chefiado por Jorge Quiroga, decidiu ceder às reclamações dos progressistas e às ameaças dos cocaleiros. Ele trocou a justiça pela paz, mas não duraria muito. Pois bem, em setembro de 2003, com Gonzalo Sánchez de Lozada já na presidência, Evo Morales, Felipe Quispe e Carlos Mesa deram um golpe. A República da Bolívia foi feita refém por uma perigosa quadrilha transnacional chamada: Socialismo do século XXI.
A defesa e a industrialização do gás boliviano foram os slogans usados pelos subversivos como bandeira de guerra. No entanto, quase duas décadas após esses eventos, a Bolívia deixou de ser uma potência do gás. Carlos Miranda Pacheco, o melhor analista de energia que o país teve, em uma de suas últimas entrevistas em vida para o portal www.energiabolivia.com afirmou o seguinte:
Estamos sofrendo o efeito do atraso na realização de uma campanha de exploração para substituir o que estávamos exportando. Atualmente falta gás para cumprir os contratos que temos, mas isso não significa que a Bolívia não tenha mais gás. O gás produzido vem da exploração de ± 12% da área potencial total do país. Não foi feita nenhuma exploração fora da área tradicional e ter feito a exploração tardia apenas na área tradicional significa que até à data nos falta gás. A receita da venda de hidrocarbonetos tem sido fundamentalmente esbanjada no país para financiar projetos inacabados, empresas sem fins produtivos, manifestações políticas nacionais e convenções internacionais também realizadas no país.
Miranda não foi o único que alertou para o desastre da gestão energética do Movimento ao Socialismo. Por exemplo, Álvaro Ríos, Ministro de Hidrocarbonetos da Bolívia entre 2003 e 2004, em uma análise publicada no jornal Los Tiempos (novembro de 2021) apontou que:
A situação boliviana está se tornando muito mais complexa porque mais gasolina e mais diesel estão sendo importados progressivamente. Neste 2021, cerca de 71 por cento da procura de gasóleo e cerca de 36 por cento da procura de gasolina já foram importados. No ritmo que estamos indo, provavelmente em 2023 começaremos a importar gás liquefeito de petróleo (GLP). E quando fizermos isso teremos que importar pelo preço internacional, pelo preço que está naquele momento. Finalmente, se nada fizermos, em 2030 começaremos a importar gás natural. Em 2030 importaremos gás porque a produção boliviana está diminuindo. Então, de ser um país produtor e exportador de gás, tornar-se um país importador líquido de combustível vai custar à Bolívia uma conta muito pesada.
Evo Morales esbanjou o aluguel do gás em empresas públicas ineficientes, no enfraquecimento das instituições democráticas, na corrupção das consciências de promotores e juízes para prender seus opositores e em posicionar sua imagem como o “libertador” dos povos indígenas e humildes do mundo.
Morales nunca se interessou por gestão política, sua única motivação era sustentar sua ditadura a qualquer custo. É hora de parar de tratar um simples grupo de bandidos como estadistas.
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