Em 26 de dezembro de 1982, em sua fazenda San Vicente, localizada no departamento de Beni, Don Roberto Suarez Gómez (apelidado de Rei da Cocaína) comemorou o aniversário de seu filho mais velho, Roby (recentemente libertado da prisão nos EUA). Para a ocasião, a família contratou chefs estrangeiros. O grupo musical ficou a cargo dos melhores grupos nacionais da época, além dos Mariachi Vargas de Tecalitlán. Mas a aparição de Manolo Otero no palco foi o toque final. No entanto, nem chefs de renome nem cantores de luxo foram os destaques dessa festa, mas Pablo Escobar Gaviria e Gonzalo Rodríguez Gacha.
A chegada da manhã não parou o pachanga. Com o álcool na cabeça, os colombianos confessaram seus planos de contrabandear cocaína para os Estados Unidos usando portos cubanos e lanchas militares.
A parceria entre Roberto Suarez Gómez, Pablo Escobar e Fidel Castro terminou em 1984. O ditador cubano recebeu informações sobre as operações paralelas que seus parceiros estavam realizando com Manuel Antonio Noriega. Fiel ao seu costume, Castro tomou a decisão de se livrar de seus cúmplices infiéis. No entanto, a sorte jogou a favor do boliviano e do colombiano, que escaparam da morte certa.
Com o rompimento dessa parceria, Castro perdeu milhões de dólares. Além disso, o bloco soviético estava começando a desmoronar. Por isso, em 1990, junto com Lula da Silva, fundou o Fórum de São Paulo. Essa nova irmandade socialista tinha dois objetivos centrais: primeiro, encontrar novos países para roubar dinheiro e, assim, sustentar a tirania cubana. Segundo, controlar as rotas do narcotráfico para, nas palavras do próprio Fidel, furar o bloqueio.
A expansão da ditadura em Cuba a partir de 1990 – mas com maior força desde que Hugo Chávez a tirou de seu período especial em 1998 – levou ao estabelecimento de ditaduras na Venezuela com o próprio Chávez, Nicarágua com Daniel Ortega, Equador com Rafael Correa e Bolívia com Evo Morales. Esses regimes logo foram estruturados como narcoestados, cuja principal característica é a violação sistêmica dos direitos humanos.
Nesse sentido, Juan Reinaldo Sánchez, guarda-costas do ditador por 17 anos, em um artigo intitulado: A Metodologia Cubana de Controle Social, explica como Fidel Castro ―usando o Instituto Cubano de Amizade com os Povos como isca― se infiltrou na imprensa, universidades e as forças de segurança de vários países latino-americanos para implementar métodos de controle social e mecanismos de manipulação de computadores. O modelo a seguir seria o da COPEXTEL. A empresa é responsável por censurar e manipular as informações que os cubanos podem ver na Internet. Mas seu trabalho principal é, por meio de espionagem cuidadosa, anular quaisquer ideias divergentes.
Da mesma forma, Reinaldo Sánchez nos fala sobre o produto mais “bem-sucedido” que a ditadura cubana exportou para a região: a tortura física e psicológica dentro das prisões – que, na maioria dos casos, termina em suicídios de presos. De fato, durante um seminário para apoiadores do MAS em agosto de 2021, o ex-ministro da Presidência Juan Ramón Quintana – um grande admirador dos métodos cubanos – assegurou que a ex-presidente Jeanine Añez está “à beira de seu colapso emocional”. Naquela época, Añez tentou tirar a própria vida como resultado, segundo versões de sua defesa e familiares, da tortura psicológica a que foi submetida.
A Convenção das Nações Unidas contra o Crime Organizado Transnacional em vigor para a Bolívia, para todos os países das Américas e o resto do mundo, determina que “grupo criminoso organizado” significa um grupo estruturado de três ou mais pessoas que existe por um determinado período de tempo e que age concertadamente com o propósito de cometer um ou mais delitos graves ou delitos estabelecidos de acordo com esta Convenção, com o objetivo de obter, direta ou indiretamente, um benefício financeiro ou outro benefício material”.
Você só precisa rever as notícias, jornais, vídeos e revistas, ver as imagens nas redes sociais, ouvir os depoimentos de pessoas como Quintana e membros de sua organização, além de ver o dia a dia dos presos políticos bolivianos verificar a condição miserável da justiça nacional, atualmente submetida ao MAS e seus caprichos. Não estamos diante de uma força política, mas de um grupo criminoso.
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